Wednesday, September 21, 2011

Quando a beleza e força do que me rodeia
avança as muralhas dos sentidos,

vejo
ouço
toco
cheiro
saboreio

apenas com o coração

E é bem mais real e fácil de entender.

Thursday, June 16, 2011

"Não me vi a encher
E transbordei.


Quem mandou construir barragens em mim?"

Monday, June 13, 2011

11.06.2011


Gosto de pensar que somos como casas em construção. Que todos nascemos com um terreno e com um projecto. E que crescemos com alicerces, paredes, chão, canalizações e todas essas coisas.
O meu testemunho pode ser um pequeno resumo desse projecto…
Sei bem que os meus alicerces são os meus pais, o meu irmão e a minha família mais próxima. E fico mesmo grata sempre que penso no quanto me deram em todos estes anos. As coisas bonitas que me mostraram e ensinaram, as oportunidades que me deram de aprender aos bocadinhos o Mundo, mesmo quando eu não percebia que estava a crescer assim. A história da minha família, que é tão bonita, é também parte desses alicerces. E eu sou resultado de todas estas coisas.
Há depois o que nos reveste: as paredes! Os amigos com que nos forramos como pessoas. E até ai tive sorte. A juntar aos alicerces fortes, tenho paredes bem firmes e, acima de tudo, coloridas. São as cores dos escuteiros, as cores dos amigos de sempre e dos que se juntam, as cores da música, as cores de todos os (muitos) projectos em que me envolvo, as cores de pessoas que realmente deixaram e deixam marcas.
E um jardim. Há também um jardim à minha volta, no terreno do que sou e ainda além desse terreno. Um Mundo de coisas por viver ou apenas por observar. Jardim para sentar, para aventuras, para descobrir novos amigos que trazem cores e força às paredes, para passar lá temporadas ou simplesmente para olhar! Um jardim que me liga aos outros.
E podem agora perguntar o que é que isto tem a ver com a noite de hoje. Realmente, podia não ter nada a ver. Não fosse eu ter descoberto que andei uns anos valentes a viver no alpendre! Sim, a minha casa tem um alpendre, com vista boa! E o tempo, a maior parte das vezes, é ameno… e dá para adormecer a ver as estrelas. Tenho que admitir que não viveria nada mal até ao fim dos meus dias assim. No alpendre, encostada às paredes, segura pelos alicerces e de olhos no jardim.
Mas, pelos vistos o projecto, o meu projecto, incluía chave de Casa. E descobri-a há uns meses, na ida a Taizé, num dos passeios pelo “jardim”. Depois disso, foi o rodar da chave a o empurrar da porta de Casa. Foi isso que me trouxe aqui. Sabem, acho que pode não ser assim tão óbvio que as casas sejam feitas para se entrar… Eu estava muito bem cá fora, para quê entrar? Para quê entrar em mim quando o jardim é tão bom horizonte e a casa é tão bom ponto de partida para o Mundo, mesmo que a partir do alpendre?
Mas encontrei a Chave, que mais podia fazer? Entrei e descobri muita coisa. Descobri que os alicerces são os mesmos e as paredes também… Melhor, agora consigo vê-los de forma ainda mais especial, acreditem. Do lado de dentro. Do lado mais perto do coração. E do lado de dentro do coração, encontrei novas formas de usar tudo o que aprendi ao longo destes anos. Novas formas de usar a música, novas formas de usar as palavras e os gestos.
Ao entrar descobri também que as paredes têm janelas. Nunca me tinham feito falta, do lado de fora. Mas acho que sempre as olhei com alguma curiosidade. E, com ajuda preciosa, abriram-se de par em par, cheias de significados de luz… são textos antigos, são rituais, são palavras, são músicas, são exemplos, são pessoas, são conversas… um toque de luz que dá sentido ao entrar em Casa, para ficar mais perto de mim. Como nas janelas, há uma luz que entra, preenche e me faz ver melhor quem sou. Mas também há um apelo a sair e a viver a vida lá fora.
A Casa não é só feita de alicerces, paredes e janelas. E é engraçado que, às vezes, preciso que me apontem o que há lá dentro para conseguir ver. E sim, há pelo menos uma mesa. Grande e pequena. Tão grande que cabem todas as pessoas do Mundo. E tão pequena que cada convidado consegue sentar-se à distância exacta (e ínfima) de uma oração d’Aquele que distribui a refeição. E também é por isso que aqui estamos todos, nesta noite.
E foi isto que descobri… Sei que com a maioria de vocês a história foi diferente. Que enquanto a vossa casa se construía fizeram visitas regulares, de Chave na mão. E que sabiam que era um lugar para vocês. Que sabiam que aqui, onde estamos hoje, é também um vosso lugar. Se não me tivessem deixado brincar, durante anos, naquele bocadinho de jardim onde encontrei a Chave, não teria oportunidade de falar disto. Os projectos de cada um são realmente diferentes…
Hoje nós dissemos que sim, que temos essa Chave na mão... Mas entrar em Casa não é passar a viver só em Casa. O jardim continua lá e as cores e cheiros do Mundo são promessa de vida.
Encontrar a Chave, que é Deus, não nos leva a fechar portas mas sim a abri-las… leva-nos a procurar mais. A perceber que outras portas, para além da do nosso coração, se abrem.
Agora só não durmo no alpendre. E não perdi nada, até porque a minha casa não tem telhado e continuo a poder adormecer a ver o Céu.
Haverá melhor horizonte para sonhar e viver a vida?

Monday, June 06, 2011

Pronto, podia realmente dar-me para pior (ou não!!!). Mas esta música e este filmezinho de vez em quando assaltam-me as ideias :D

E hoje comecei a cantarolar isto!

http://www.youtube.com/watch?v=sLsa0MqhhDE

Tem bocadinhos de letra bem curiosos... :)

Thursday, June 02, 2011

Espectacular :D só agora reparei que pus a mesma música em dois dias (quase) seguidos!
Estou obviamente a precisar de dormir um bocadinho mais todas as noites...

Wednesday, June 01, 2011

Estou completamente encantada com a ternura e simplicidade destes senhores... :)

http://www.youtube.com/watch?v=EYwWNbGYW7c

Tuesday, May 31, 2011

5 anos! Parece mentira... é que ainda me lembro com tanto detalhe de pequenas coisas :)

Três em especial!
De me ensinares a fazer bolo de bolacha! Que hoje é o meu bolo de bolacha. Ou montinhos de bolacha, como alguns lhe chamam :) Que não podia ter "aquelas coisas brancas" porque não gostavas! Então o bolo não tinha natas, nem manteiga mas sim chocolate, pudim de chocolate!
De te ver sentada de terço na mão, a rezar. E nunca perceber muito bem :)
De me pedires as mãos. Porque as minhas estavam (e estão) sempre quentes e as tuas estavam sempre frias. E de ficarmos assim,de mão dadas, até que ficassem com a mesma temperatura :)

E isto basta :)

Monday, May 30, 2011

Chamo a isto música líquida... É que escorre entre as ideias e sentimentos que são nossos. E agarra-se. Torna-se tão nossa que é quase estranho ser cantada por outra pessoa.


http://youtu.be/EYwWNbGYW7c

Tuesday, May 24, 2011

E pronto. Hoje explodi. Explodi por mail. Disse que estou desmotivada. Que preciso de coisas novas. Que preciso de perceber o que esperam de mim para poder correponder. Que me sinto a regredir em termos de motivação e autonomia. Que sei que podia trabalhar mais! Que gostava de ter vontade de trabalhar mais.

E, no meio de muita coisa, incluindo alguns "nisso tens razão", o que ficará para a posteridade é "já comentei com o xxxxxxxx que temos que dar mais uso aos teus neurónios!".


Será que se vê de fora que tenho alguns que morrem de tédio em alguns dias?


(até teria piada se eu fosse mais "dura" como também ouvi... e se não ficasse de lágrimas nos olhos! Ca burra!!!!)

Sunday, May 22, 2011

Gostava de me saber agarrar à luz dos dias, das pessoas, dos momentos….

E, com ela, seguir viagem até mais perto de mim.

Thursday, May 12, 2011

À falta de um real abraço, cá fica uma música de sempre :)

http://www.youtube.com/watch?v=ZLOglnjC6iY

Tuesday, May 10, 2011

Cansadinha cansadinha...
Mas bem :)
Somos porco-espinho, somos raposa

Na antiga parábola grega há uma raposa que todos os dias tenta intercetar o caminho miudinho e reto que o porco-espinho percorre. Como sabemos, as raposas, além da sua beleza e rapidez, têm a proverbial astúcia que faz delas estrategas reconhecidas no mundo animal. Esta cercava todos os dias a toca do porco-espinho como quem estivesse simplesmente em passeio, e quando menos se esperava irrompia, num arrebatamento aparentemente vitorioso. O porco-espinho, porém, agia em sentido contrário. Com o seu movimento deselegante e rotineiro, dir-se-ia que optava viver em função de uma coisa só, muito sua e muito doméstica. Mas a verdade é que não deixava de fazer uma defesa consistente do seu domínio. Sempre que a raposa saltava para surpreendê-lo, o porco-espinho enrolava-se todo, tornando-se numa impenetrável bola bélica, cheia de pontas aguçadas em todas as direções. Perante isso a raposa tinha de recuar à floresta para a preparação de novos esquemas. A moral da parábola é a seguinte: «A raposa sabe muitas coisas, mas o porco-espinho sabe uma coisa muito importante».

De que é que fala esta parábola? Talvez não do elogio da raposa por contraposição ao porco-espinho ou vice-versa. Talvez fale simplesmente das diferenças, tão naturais quanto misteriosas, que reconhecemos em nós próprios e nos outros. Há quem tenha como dom saber muitas coisas. Há quem tenha como missão saber bem uma coisa só.

É interessante que o filósofo Isaiah Berlin parta desta história para dizer que existem duas categorias de pessoas: as que estão próximas das características da raposa e as que são mais do tipo porco-espinho. Ambas têm, como seria de esperar, grandes qualidades e outras tantas limitações. A raposa olha o mundo na sua complexidade e é capaz de se mover numa pluralidade de níveis, como se estes fossem simultâneos. Interessa-se por muitas coisas, rodeia, fareja, espreita: é sonhadora e brilhante, mesmo correndo o risco da dispersão. O porco-espinho vive sob o signo da simplificação e da visão unificada. De um grande enredo, o porco-espinho escolhe retirar uma ideia apenas, que transforma depressa num princípio organizador de toda a realidade. A raposa é polifónica e bilingue, uma espécie de catalisador do novo, ainda que à custa de incuráveis interrogativas e dilemas. O porco-espinho desconfia de tudo o que não se relaciona de forma direta com a ideia-chave que o faz correr, valoriza sobretudo a convergência, a atenção e o aprofundamento. A raposa não suporta ter diante de si uma fila de dias iguais, enquanto que o porco-espinho não deseja outra coisa. O porco-espinho é mono temático, mas completamente consequente. Define o essencial e faz por ignorar tudo o resto. A raposa segue todos os trilhos que pode, mas arrisca mais vezes a inutilidade.

A propósito deste debate, apetece retomar o poema de Alberto Caeiro:

«A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta…».



José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira)
09.05.11

Tuesday, May 03, 2011

E, se calhar, as palavras...

... estas palavras não sou eu.

São apenas uma foto do meu pensamento. A sépia.

Todas as palavras são cartas de amor

"O que se aprende com Dean Falk, mas também com Fernando Pessoa, é que as palavras são, mais do que tudo, a verbalização do desejo que sentimos do outro. No fundo, o que quer que digamos dizemo-lo para avizinhar ou reter o outro perto de nós, para retardar ou desmentir a sua ausência, para dizer que ele é demasiado importante para nós. Mesmo com áridos discursos ou frases friamente impessoais, o que dizemos não é tão diferente do que dizem os nascituros ou os enamorados. A linguagem humana é uma forma espantosa que encontramos para nos fazermos companhia. "

José Tolentino Mendonça
In Diário de Notícias (Madeira)


Texto bonito :)
Para ler o restante...
http://www.snpcultura.org/todas_as_palavras_sao_cartas_de_amor.html

Monday, May 02, 2011

Não gosto de...

... contrariar as minhas próprias expectativas por as achar erradas!

Thursday, April 28, 2011

Eu sabia! Eu sabia que iam voltar os dias de não me conseguir concentrar! Já estava a tardar... apesar de andar com a cabeça em mil coisas, o trabalho até corria certinho. E hoje pareço uma barata tonta. Sem saber em que parte do trabalho pegar porque no fundo não há nenhuma que me apeteça fazer...

Ai ai... eu a achar que estava curada desta desconcentração cíclica!

Tuesday, April 19, 2011

É verdade, já não escrevia há muito tempo :) As minhas desculpas transatlânticas para quem eu nem tinha noção de me seguir tão assiduamente :)

Podia dizer que por aqui não há nada de novo. Mas não seria verdade. Não há nada de novo na minha correria, nos meus mil compromissos e projectos em que gosto de me envolver. Não há nada de novo na minha dificuldade em gerir o meu tempo por querer estar com os meus amigos (se calhar aqui estou um bocadinho pior, se é que é possível!) mas... mantém-se também a minha certeza de correr para estar com eles sempre que consigo :) nem que seja por uma horinha, para matar saudades e saber as novidades. Não há nada de novo no meu trabalho...

E no meio de tantos "não há nada de novo" tenho dificuldade em concluir que... "não há nada de novo". Porque não é isso que sinto. Reorientam-se vontades, entram pessoas novas na vida, mudam-se projectos, descobrem-se certezas, aceitam-se desafios, tomam-se decisões. E isto pode não mudar o meu horário... mas muda-me a mim. Pode não mudar o meu emprego... mas muda-me a mim face ao meu emprego. Pode não mudar as minhas relações... mas muda a minha postura face a elas. E tudo isto muito depressa e muito devagar em simultâneo.

Tão devagar que dá para dizer "nada mudou" e tão depressa que me leva a afirmar "estou diferente". Acima de tudo, no meio da correria, estou mais tranquila.

Monday, March 21, 2011

Começa a Primavera e é o dia mundial da poesia.

Deviam florir palavras bonitas.

Wednesday, March 16, 2011

A gente vai continuar

Não ando a conseguir copiar os vídeos para aqui. :(
Por isso, é favor clicar no link :p dá um bocadinho mais de trabalho mas nada de impossível!


http://www.youtube.com/watch?v=O8HyLrokZko

(roubadinho de outro sítio... desculpa lá Joana )